Como estão as coisas sem você

Você que sempre foi ouvinte atenta, avaliadora perspicaz e companheira sensível. Já disse isso e dói que continue sendo verdade, mas você foi a melhor amiga que eu já tive na vida.

Venho por meio dessa contar como é viver sem você. Tornar-te interlocutora de uma conversa que não existiria, caso você fosse minha interlocutora real.

A imaginação, afinal, nos permite essas pequenas extravagâncias.

Sinto como se um pedaço da minha alma tivesse sido arrancado e isso é bem estranho. Primeiro que não acredito em alma (talvez o sentido grego seja um pouco menos incômodo pra mim) e segundo porque… bom, esquece o segundo.

Acompanho teu progresso aos poucos, de longe. Junto coragem durante meses, deixando que a casca me cubra, uma armadura forjada de toda a pungência lógica que possuo para conseguir timidamente abrir uma foto sua. Ou seu tumblr. Aconteceram 3 vezes, ao longo desses anos.

Vamos as possibilidades: Um cara em seus 20 e tantos anos, vivendo em uma cidade universitária. É grande a chance de achar alguém pelo menos tão bonita OU tão legal quanto você, certo?

Me envolvi com algumas pessoas. Tentei contornar as coisas de maneira hábil, ter múltiplos contatos superficiais, que colocassem o sexo em seu devido lugar: uma atividade física prazerosa, somente.

Navegar com maestria nessa pós-moderna sociedade líquida. (Usando o tinder como barco, as vezes, hahahahaaha)

Devo dizer que descobri ser uma pessoa boa nesse negócio, no panorama geral das coisas. A curiosidade sobre o orgasmo feminino, a preocupação com o prazer da parceira, uma certa habilidade natural e horas de pesquisa atrás de evidências científicas que baseassem certas crenças/técnicas/métodos me fizeram um amante bem acima da média.

Entretanto “não existe putaria mais deliciosa que a intimidade”, continuo acreditando nisso e como faz falta.

Fisicamente eu estou melhorando. Recentemente fiz um desses testes de academia, onde a pessoa aperta todas as suas banhas com uma garra metálica e te mede de cima a baixo com fitas métricas. Eu fiz esse teste, com a mesma pessoa e protocolo quando tinha 20, 22 e agora com 24 anos e saca só:

92,7kg;   90,2kg;          79,8kg;
22%;        21%;               13%       de gordura (ou seja, perdi 10 kgs só de gordura praticamente).

Mas o mais impressionante disso é que eu pulei de 107 cm de abdomem para 89!

(as outras medidas diminuíram, também, 2 cm de braço flexionado e essas coisas… é a vida).

Legal, né?

Não tenho muito com quem compartilhar essas coisas, hoje em dia. Um eventual comentário com os meninos, mas eles ainda estão um pouco presos na caixinha do “homem não faz essas coisas” ou não se importam, não sei. Cansativo.

Li várias coisas, muitas mesmo. Continuo um eterno curioso a respeito da vida.

Conheci bastante gente, conversei demais. Fiz alguns valiosos amigos, reatei alguns laços  que há muito julgava inexistentes, cortei alguns que me eram nocivos.

Fico triste em informar que não são raras as vezes que volto pra casa cheio de novidades que queria compartilhar, planos pra discutir ou carinho pra dar e me sento sozinho no meu quarto, tentando me livrar desse mecanismo mnemônico que me arremessa de volta a você.

Estou desenvolvendo um projeto muito legal com um amigo que envolve cozinhar, convidados e conversas significativas. Até agora as experiências foram muito positivas e nos abriram novas perspectivas sobre a vida.

E é isso, por hora. Poderia continuar falando por horas, se isso fosse uma conversa, mas prefiro fazer a misteriosa parar por aqui e analisar o que saiu nesse fluxo.

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